Sempre que posso, gasto algum tempo do dia numa das mesas do Café Suíça. Bem em frente à estação do Rossio, ele é um dos maiores pontos de encontro da região, passagem obrigatória para quem vai ao centro cultural da cidade. Cinco e meia começam a chegar os grupos – estudantes, boêmios, comerciantes, casais – todo tipo de gente a entrar e sair, seguindo de lá para bares, teatros ou outros cafés. Há quem chegue sozinho e encontre com o grupo que havia marcado, há quem chegue e encontre quem nem estava procurando, há encontros apaixonados com beijos e abraços, velhos amigos com saudações barulhentas, tudo acontecendo ao mesmo tempo. No meio da confusão, o cego do metrô tocando gaita, hippies dançando, a tarde caindo. E eu lá. Na última mesa.
Lá pelas sete a multidão se dispersa e cada grupo toma o seu destino. Mas, curiosamente, no pátio vazio sempre sobra alguém. Sempre. Uma moça, um menino, um senhor, um alguém que, por qualquer razão, insiste na espera e continua lá. A noite crescendo, o frio chegando, o cego tocando e a pessoa lá. Confere o relógio, a porta do metrô, a porta do café e a pessoa lá. Esperando. Como quem espera um milagre. Meu Deus, como aquilo me dói.
Nunca fico o suficiente para saber se estes retardatários chegam um dia. Tomo meu café, pago a conta e sigo o meu rumo. Vou embora. Mesmo que, no fundo, algo de mim também permaneça. Batendo parado naquela estação.
Mari, esse lugar é muito nostálgico. kkkkkk
Pequena, esse texto está pior do que o “Petrocoffee” que Paker me obrigava engolir na agência.