Feeds:
Posts
Comentários

20180115_095939153830847.png20180115_092948329194083.png20180115_0920351007353625.png20180115_092209504135245.png20180115_0921331892256321.png20180115_0927131167325514.png20180115_0951141583423918.png20180115_093028406954435.png20180115_092422275242404.png20180115_093217320815847.png20180115_0929071364130447.png20180115_0924451307839879.png20180115_0922451239496850.png20180115_093937297067084.png20180115_1006081628372364.jpg20180115_1049191632764316.png20180115_1053481118917568.jpg20180115_094738223391948.png20180115_094712874017360.png20180115_0940191618653487.png20180115_0919371504453532.png20180115_0953052120225645.png20180115_0923311130816321.png20180115_0945362123823568.png20180115_0942401434041765.png20180115_09263166898999.png20180115_094216897761613.png20180115_094841685727975.png20180115_1208371544867532.png20180115_094138305866717.png20180115_095412684069009.png

Anúncios

“Mas, quando nada subsiste de um passado antigo, após a morte dos seres, após a destruição das coisas, apenas o cheiro e o sabor, mais frágeis mas vivazes, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, permanecem ainda por muito tempo, como almas a fazer-se lembradas, à espera sobre a ruína de todo o resto, a carregar sem vacilações sobre a sua gota quase impalpável o edifício imenso da memória.”

(Marcel Proust / Em Busca do Tempo Perdido I – O Caminho de Swann, p.57)

Era um paraíso

“A criança aceita. Para a criança, não existe passado nem futuro. O momento presente é suficiente. A criança existe aqui-agora. Então ela sente uma certa harmonia, como uma melodia. É por isso que mais tarde, quando você fica muito velho, você continua a se recordar da sua infância, vive dizendo que a infância era um paraíso. Por quê? Porque houve muitos momentos em que você aceitava tudo totalmente. No instante em que a criança começa a rejeitar, deixa de ser criança. A infância é perdida, o paraíso é perdido.”

(Osho / A Nova Alquimia)

Feliz 2018!

Privilégio

Todas as vezes em que passei sob os arcos do Terreiro do Paço, eu pensei comigo: pisar aqui é um privilégio. Mesmo passando ali todos os dias. Fosse voltando do trabalho ou indo à padaria, mesmo na mais rasteira e desinteressante das rotinas, quando o inverno era cinza e o pão menos farto e eu me sentia mais sozinha que aquela estátua no meio da praça, eu enxergava a grandeza daquela oportunidade. Eu sabia que ali, naquele momento, eu era uma privilegiada.

O Terreiro do Paço é uma das coisas mais bonitas que eu já vi na vida.

Hoje, meus caminhos são os mais desimportantes da minha cidade. Mas tenho vivido um outro tipo de privilégio, um benefício delicado. De noite, olhando a janela, baixo os olhos, agradecida. Reconheço quando estou vivendo uma grande oportunidade.

“Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio

E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.”

.

(Hilda Hilst / Dez Chamamentos ao Amigo, uma série de poemas do livro “Júbilo, memória, noviciado da paixão”, de 1974)

%d blogueiros gostam disto: