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Perfect, Ed Sheeran

Não sou dada à fofurices em geral. Mas fui pega desprevenida por essa mistura de cabana na floresta + fotografia no bolso da camisa + recado escrito na embalagem de pizza + filhotinho vira-lata perdido e assustado sendo resgatado no meio da tempestade de neve. Receita completamente esmagadora. Arrebatou (até) o meu (improvável) coraçãozinho.

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Opostos

“O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença. O oposto de arte não é a feiura, é a indiferença. O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença.”

(Elie Wiesel, US News & World Report, 27 de outubro de 1986)

Dobra

“Tínhamos

em comum

ter de ganhar

o pão

de cada dia

e ter muita

dificuldade

em ganhar

o pão

de cada dia.

Isso

é muito mais

que a questão

do destino.”

.

(Adília Lopes / Dobra)

.

.

* poema de referência à citação “Tínhamos de verdadeiro a questão do destino”, de João Miguel Fernandes

Lídia

“Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).”

(Fernando Pessoa / Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio)

Princesa Mégara

(Hércules / Disney)

Perto do Coração

Minha mãe me apresentou uma música chamada Perto do Coração, de Nelson Ayres. Li que a canção seria inspirada no livro de Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem. Por sua vez, sei que o título Perto do Coração Selvagem foi inspirado por um trecho de um romance de James Joyce, que até virou epígrafe da obra: “Ele estava só. Estava abandonado, feliz, perto do coração selvagem da vida”. Foi Joyce quem escreveu Ulisses, uma adaptação do poema Odisseia, composta por Homero. E a Odisseia é uma releitura de lendas primitivas relativas à Ítaca, ilha do Mar Jônico. Elas originaram-se da união dos mitos dóricos e micênicos, repletos de criaturas fantásticas.

O que existe em comum entre todas essas obras? Uma certa fusão do humano com o animal. Nesta mitologia ancestral havia uma criatura que era metade humano e metade cavalo: o centauro. Em Homero, o centauro Quiron é sinônimo de força e coragem. O herói Heitor, mesmo não sendo visto com equino nenhum, é chamado “domador de cavalos” e um importante episódio histórico é a Guerra de Troia, onde uma enorme escultura animal surpreende por estar repleta de homens por dentro. Em Joyce, o cavalo é referenciado no azarão que, mesmo fraturado, vence a competição: “As únicas pessoas descentes que vi em locais de corrida eram cavalos”. Em Lispector: “Sentia o cavalo perto de mim, como uma continuação do meu corpo. Ambos respirávamos palpitantes e novos.” (1986, p. 75) Em outra obra da autora – onde o personagem, não por acaso, se chama Ulisses: “Existe um ser que mora dentro de mim, um cavalo preto e lustroso… inteiramente selvagem.” (1988, p.28)

Na História e na Literatura, o centauro representa o religamento do humano com o seu instinto, um retorno ao impulso, à essência, à verdade. É o regresso à Arcádia. Ouço Perto do Coração pensando neste monstro antigo. E lamentando, às vezes, a falta da outra metade.

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