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Archive for the ‘books on the table (literatura)’ Category

“A porta estava trancada

E o universo

Tocava a minha música.”

(Charles Bukowski / Hino da Tormenta)

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barcos na tempestade

 

“Eu, da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo.”

(Álvaro de Campos / Ultimatum, 1917)

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“O que você mais teme acaba acontecendo.
O que você mais quer acaba acontecendo.
O que ninguém espera acaba acontecendo.
O que ninguém consegue mais conter
acaba de acontecer.”

 

(Arnaldo Antunes / Agora aqui ninguém precisa de si)

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“Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas (…)
Não, não creio em mim
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! (…)
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta (…)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu (…)
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim, não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo.”

.
(Fernando Pessoa / Tabacaria)

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“Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem
os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo, outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome.”

(Mia Couto / Raiz de Orvalho)

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“A humanidade está vivendo uma situação de apocalipse, entendendo a palavra apocalipse como revelação. Há algo desmoronando e há também algo que está nascendo. Nós escutamos o barulho do carvalho que cai, mas não escutamos o barulho da floresta que brota. Ouvimos o ruído das torres desmoronando, mas não escutamos a consciência que desperta. Em geral, falamos das coisas que fazem ruído, mas o importante é aquilo que não se ouve. É preciso prestar atenção às sementes que estão brotando.”

(Jean-Yves Leloup / A Arte da Atenção)

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“A humanidade não progride lentamente, de combate em combate, até uma reciprocidade universal, em que as regras substituiriam para sempre a guerra. Ela instala cada uma de suas violências em um sistema de regras e prossegue assim de dominação em dominação.” (69)

“Temos diante dos olhos cidades em ruínas e monumentos enigmáticos. Detemo-nos diante das muralhas abertas, perguntamo-nos que deuses puderam habitar aqueles templos vazios. As grandes épocas não tinham tais curiosidades nem tão grandes respeitos, elas não reconheciam predecessores: o classicismo ignorava Shakespeare.” (79)

“Por que não é com ideias que se faz avançar a história, mas com uma força material, a do povo que se reunifica nas ruas.” (115)

“A lição é a velha ideia de Marx: o novo nasce a partir do antigo.” (119)

“No primeiro estágio da revolução ideológica, sou pela pilhagem, sou pelos excessos. É preciso inverter a dominação, não se pode destruir um mundo delicadamente.” (123)

“Nenhuma teoria pode se desenvolver sem encontrar uma espécie de muro e é preciso prática para atravessar o muro.” (130)

“Uma teoria é como uma caixa de ferramentas. Nada tem a ver com o significante… É preciso que sirva, é preciso que funcione. E não para si mesma. (…) É curioso que seja um autor que é considerado um puro intelectual, Proust, que o tenha dito tão claramente: tratem meus livros como óculos dirigidos para fora e, se eles não lhe servem, consigam outros, consigam vocês mesmos seus instrumentos, que é forçosamente um instrumento de combate.” (132)

“É preciso ouvir a exclamação de Reich: não, as massas não foram enganadas, em determinado momento elas desejaram o fascismo!” (140)

“No exército do século XVII, os indivíduos estavam amontoados. O exército era um aglomerado de pessoas com as mais fortes e mais hábeis na frente, nos lados e, no meio, as que não sabiam lutar, eram covardes, tinham vontade de fugir. A força de um corpo de tropa era o efeito da densidade dessa massa.” (180)

“No fundo da Prática Científica existe um discurso que diz: nem tudo é verdadeiro, mas em todo lugar e a todo momento existe uma verdade a ser dita e a ser vista, uma verdade talvez adormecida, mas que no entanto está somente à espera de nosso olhar para aparecer, à espera de nossa mão para ser desvelada. A nós cabe achar a boa perspectiva, o ângulo correto, os instrumentos necessários, pois de qualquer maneira ela está presente aqui e em todo lugar.” (190)

“A característica destas instituições (escola, usina, hospital) é uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não o têm.” (206)

“Convêm desvencilhar as cronologias e as sucessões históricas de qualquer perspectiva de sucesso.” (228)

“A partir do momento em que se atinge o poder, deixa-se de saber: o poder enlouquece, os que governam estão cegos. E somente aqueles que estão à distância, que não estão em nada ligados à tirania, fechados em suas estufas, em seus quartos, em suas meditações, podem descobrir a verdade.” (230)

“Parafraseando Astruc, que dizia: ‘o cinema americano, este pleonasmo’, poderíamos dizer: o historiador marxista, este pleonasmo.” (232)

“Na realidade, a impressão de que o poder vacila é falsa, porque ele pode recuar, se deslocar, investir em outros lugares… e a batalha continua.” (235)

“A política é a guerra prolongada por outros meios.” (275)

(Microfísica do Poder / Michel Foucaut)

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