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Posts Tagged ‘poesia’

“Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis:
Arrastaram eles os blocos de pedra?

E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tantas vezes?

Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?

A grande Roma está cheia de arcos do triunfo:
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?

A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?

Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam
gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou?

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?

César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?

Filipe da Espanha chorou,
quando sua Armada naufragou.
Ninguém mais chorou?

Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?

A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.”

(Bertolt Brecht / Perguntas de um trabalhador que lê)

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“Que século, meu Deus! Diziam os ratos.
E começavam a roer o edifício.”
(Carlos Drummond de Andrade / Edifício Esplendor)

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“Por que se importar é
da minha natureza.
Nunca deixei de me importar,
mesmo quando até parecia que não.
E me importarei sempre,
até o fim da vida
(e mesmo depois, se houver mesmo
esse adicional que tantos reivindicam).”

(Ruy Espinheira Filho / Babilônia e Outros Poemas)

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“O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença. O oposto de arte não é a feiura, é a indiferença. O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença.”

(Elie Wiesel, US News & World Report, 27 de outubro de 1986)

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“Tínhamos

em comum

ter de ganhar

o pão

de cada dia

e ter muita

dificuldade

em ganhar

o pão

de cada dia.

Isso

é muito mais

que a questão

do destino.”

.

(Adília Lopes / Dobra)

.

.

* poema de referência à citação “Tínhamos de verdadeiro a questão do destino”, de João Miguel Fernandes

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“Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).”

(Fernando Pessoa / Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio)

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“Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio

E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.”

.

(Hilda Hilst / Dez Chamamentos ao Amigo, uma série de poemas do livro “Júbilo, memória, noviciado da paixão”, de 1974)

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