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“O medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas.”

(Carlos Drummond de Andrade / Congresso Internacional do Medo)

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Ironicamente, tudo o que eu sei hoje sobre política começou na escola, numa aula sobre as crueldades da ditadura militar. Eu fiquei impressionada. Meu avô foi me buscar no colégio e eu fui logo perguntando sobre onde ele esteve em 64: como eram as passeatas, se ele também correu da polícia, se algum amigo dele tinha desaparecido. Mas meu avô sorriu e explicou que tinha sido um simpatizante dos militares: naquela época, a economia prosperava. O Brasil era o país do futuro. Que tinha sido um tempo bom.

Eu fiquei perplexa como só uma criança poderia ficar.

Meu avô era uma boa pessoa. Ele pensava como a maioria das pessoas da geração dele. Ele não percebeu que a geração dele estava errada.

A gente precisa desconfiar o tempo inteiro de tudo o que é considerado normal pela nossa geração.

Hoje, acho que eu faço política só por quê, daqui a 50 anos, as crianças podem me perguntar se eu participei de algum movimento de vanguarda. Se eu lutei por algo, se perdi amigos. Se eu corri da polícia em alguma passeata. Talvez elas perguntem se eu fiz campanha pela igualdade racial ou aonde eu estava no dia do Orgulho Gay. Podem perguntar se eu também fui chamada de feminazi na internet, se também me mandaram pilotar fogão, se eu conheci o spray pimenta ou se só assisti pela televisão. Vão querer saber se eu fazia coleta seletiva, se andava de bicicleta, se apoiei o movimento antimanicomial, se tive amigos travestis. Talvez questionem se fui contra a criminalização do aborto, se fui doadora de sangue, se apoiei o estado laico, se namorei algum cadeirante. Vão perguntar se eu sabia da escravidão na China, no Estado Islâmico, aonde eu estava nos dias de guerra. Se alguém se tornou meu inimigo por causa disso. Em quem eu votei em 2018.

As crianças vão perguntar por conquistas que parecerão óbvias para a geração delas, mas que não parecem óbvias agora.

É bom estar preparada. Não basta ser uma boa pessoa.

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“E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos…”

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Não acham que a disputa petralhas cubanos x coxinhas racistas foi reveladora, amiguinhos? Primeiro, por que a apuração dos votos atrasou por uma hora em respeito ao fuso horário do Acre – o que, necessariamente, comprova a existência do mesmo. Mas, principalmente, por que ela acabou com o longo trabalho de construção de imagem pública de muita gente fina, elegante e sincera. Conhece alguém que tenha passado o ano inteiro postando trechos de Paulo Coelho, foto de família feliz e cachorrinho para doação, mas que, de repente, entrou numa vibe malévola de “nordestino favelado feladaputa” e “chupa essa, playboy” para surpresa de todos? Pois é. Um lado acusando o outro de ditadura – não sei que ditadura é essa que até agora não chegou para sentar o cassetete em ambos – e perderam a linha bonito. Achei válido, achei coerente, achei que devia reprisar no Animal Planet.

Mas tudo isso foi até ontem. Depois de meses de chilique mútuo, acho que está rolando um certo silêncio constrangido nas redes sociais.

A minha primeira hipótese é de que bateu a ressaca moral. Né? Quem nunca? Se você também passou os últimos dias esbofeteando militante e chutando a cara de opositor, eu recomendo esse site que tem como proposta reatar as amizades com slogans criativos. Frases como “desculpa ter te mandando tomar em Cuba” ou “engavete tudo o que eu disse” tentam resgatar a paz mundial. Acho digno.

Já a segunda hipótese para o silêncio na internet seria de que metade do Brasil está estudando para o Pronatec e a outra parte partiu para Miami – deixando o Lobão para trás, infelizmente. Não sabemos. Espero que estejam festejando com pagode ou lamentando com Blue Label bem longe de qualquer teclado de computador, só por segurança, por que a cota de constrangimento nacional já estourou. Depois de tanto engajamento político ingênuo e repentino, rezo para que os meus compatriotas canalizem seus instintos homicidas para outro BBB ou Brasileirão – aliás, como de costume – e que reservem apenas o cérebro para questões de ordem pública. Caso tenha sobrado algum, é claro.

Vocês me mataram de vergonha nessas eleições, queridos. Temos que rever esse faniquito aí.

Até 2018. Um beijo.

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